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A Criança e a Essência do Brincar

Brincar faz parte de ser criança.

A criança sempre brinca, ou sozinha, com os pais ou com amigos. 

A escola, nas séries iniciais, precisa ser uma extensão da casa. 

É fundamental que a escola propicie condições para a criança brincar.

Até os quatro anos a brincadeira deve ser totalmente lúdica, sem aplicação de regras, como no jogo de dominó, pois a criança nesta idade ainda não consegue compreendê-las, diz o Psicólogo Marcos Meier.

Já a partir dos quatro anos, as crianças já podem brincar de joguinhos que contenham regras, como dama e futebol, por exemplo.

É importante que os pais, educadores e pediatras reconheçam a importância dos benefícios que as crianças obtêm com as brincadeiras ao longo da vida.

O brincar é essencial para o bem-estar social, emocional, cognitivo e físico das crianças desde a primeira infância.

É uma ferramenta natural para as crianças desenvolverem resiliência à medida que aprendem a cooperar, superar desafios e negociar com os outros.

Brincar também permite que as crianças sejam extremamente criativas. 

Além de promover a curiosidade, a exploração e a criatividade, a brincadeira proporciona às crianças a oportunidade de praticar importantes funções executivas(são habilidades cognitivas que nos permitem controlar e regular nossos pensamentos, nossas emoções e nossas ações) e habilidades de autorregulação(iniciativa na tomada de decisão),  como prestar atenção, inibir seus impulsos e lembrar e atualizar informações, diz Stephanie Jones, professora de desenvolvimento da educação infantil da Graduate School of Education da Universidade de  Harvard.

Os bebês brincam desde o nascimento, seu primeiro brinquedo é seu próprio corpo.

No início, os bebês exploram a vida através de seus sentidos.

Então a brincadeira é descobrir a si mesmo, dedos, mãos, pés e descobrir os outros.

Mais tarde, os bebês descobrem e brincam com os objetos que são disponibilizados para eles, afirma Adriana Friedman, doutora pela Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento.

Para Adriana Friedman, o brincar é uma forma de expressão do ser humano.

Os formatos de brincadeira são diferentes, mas, no fundo, elas são as mesmas.

As crianças continuam brincando de esconde-esconde, pega-pega como há décadas no interior, na floresta ou na cidade grande.

A sagacidade e a perspicácia delas também são as mesmas, em quaisquer condições.

Crianças obrigadas a trabalhar se viram para brincar, “crianças sentadas na carteira da escola desesperadas para sair dali estão brincando na imaginação.”

Em artigo publicado na revista Pediatrics, “The Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children”, set/2018, da AAP – American Academy of Pediatrics, ressalta que o brincar é para o século 21 o que o trabalho foi para a industrialização. Demonstra uma maneira de conhecer, fazer e criar valor.

Para uma criança, brincar não é apenas se divertir, mas correr riscos, experimentar e testar limites.

Os pediatras podem ser defensores influentes, incentivando os pais ou responsáveis a brincar com as crianças e permitir que as crianças tenham um tempo não estruturado para brincar, bem como incentivando os educadores a reconhecer a aprendizagem lúdica como um importantíssimo complemento para a aprendizagem didática.

Estudos recentes demonstram que a nova economia da informação, em oposição à antiga, a industrial, exige mais inovação e menos imitação, mais criatividade e menos conformidade. 

Outros estudos da AAP enfatizam o fato de que o brincar é tipicamente protegido das consequências da vida real.

O brincar faz parte de nossa herança evolutiva, ocorre em um amplo espectro de espécies animais, é fundamental para a saúde e nos dá oportunidades para praticar e aprimorar as habilidades necessárias para viver em um mundo complexo como o atual.

Segundo os autores dos estudos da AAP-Pediatrics, Michael Yogman, MD – Andrew Garner, MD, PhD – Jeffrey Hutchinson, MD – Kathy Hirsh-Pasek, PhD e Roberta Golinkoff, PhD, além dos humanos, o brincar está presente em uma grande faixa de espécies dentro do reino animal, de polvo, lagarto, tartaruga e abelha a mamíferos, como ratos e macacos. 

Estudos de comportamento animal sugerem que brincar fornece aos animais e aos humanos habilidades que os ajudarão na sobrevivência e na reprodução. 

As habilidades locomotoras aprendidas por meio de brincadeiras violentas permitem aprender a fugir de predadores.

Os animais brincam mesmo quando isso os coloca em risco de se tornarem presas. Este comportamento os iguala às crianças humanas. 

O acúmulo de novos conhecimentos é construído sobre o aprendizado prévio, mas a aquisição de novas habilidades é facilitada por interações sociais e, na maior parte das vezes, lúdicas. 

As crianças precisam desenvolver um conjunto de habilidades para otimizar seu desenvolvimento e gerenciar o estresse tóxico (descontrole, irritabilidade e desequilíbrio).

Os estudos demonstram que a brincadeira é uma oportunidade singular para promover as habilidades socioemocionais, cognitivas, de linguagem e de autorregulação que constroem a função executiva.

Brincar melhora a estrutura e a função do cérebro.

Os estudos da AAP-Pedriatrics ainda sugerem, formalmente, aos pediatras as ações de que precisam para promover a importância do brincar e prescreverem brincadeiras nas consultas médicas. E

m um momento em que os programas de educação infantil são pressionados a agregar mais conteúdos didáticos e menos aprendizagem lúdica, o pediatra pode desempenhar um papel importante ao enfatizar a função de um currículo equilibrado que inclua a importância da aprendizagem lúdica para a promoção do desenvolvimento infantil saudável. 

Então, esta é a primeira vez na história da American Academy of Pediatrics, que ela recomenda, formalmente, aos médicos pediatras a receitarem brincadeiras diárias para todas as crianças, mesmo aquela como as de antigamente. 

Segue os quatro tipos de brincadeira e seus impactos no desenvolvimento das crianças de até 11 anos, conforme recomendado pela AAP-Pediatrics e endossada pela Academia Brasileira de Pediatria, com apoio do pediatra Mauro Fisberg, do Hospital Sabará:

AtividadesOs benefícios
Manuseio de Objetos
Entreter-se com brinquedos coloridos, que fazem barulho e podem ser levados à boca, como os chocalhos. Brincar de carrinho de boneca e com blocos de montarDesenvolve a coordenação motora, a capacidade de comunicação e o pensamento abstrato
O Faz de contaBrincar de casinha, de escolinha ou de qualquer coisa criada pela imaginação infantilEnsina a negociar regras edesenvolve habilidades do funcionamento executivo (capacidade de planejamento e resolução de problemas)
Atividade locomotoraAndar de bicicleta, brincar de esconde-esconde, lutas e bate-mãosEstimula a habilidade e a inteligência emocional (competências para aprender a perder, a ganhare a arriscar)
Brincadeiras ao ar livreBrincar no parque e jogar futebol, queimada, basqueteReforçam amizades, desenvolvemo conhecimento social e linguístico e ajudam a controlar impulsos individuais

De acordo os estudos, a aprendizagem precoce e o brincar lúdico são atividades fundamentalmente sociais e alimentam o desenvolvimento da linguagem e do pensamento.

Foi demonstrado, por exemplo, que as crianças que brincam com brinquedos agem como cientistas e aprendem olhando e ouvindo as pessoas ao seu redor.

No entanto, instruções explícitas limitam a criatividade de uma criança. Argumenta-se que devemos deixar as crianças aprenderem por meio da observação e do engajamento ativo, em vez de memorização passiva ou instrução direta. 

Programas bem-sucedidos, em escolas da Educação Infantil e Ensino Fundamental, são aqueles que incentivam a aprendizagem lúdica na qual as crianças estão ativamente engajadas em descobertas significativas.

Para incentivar a aprendizagem, precisamos conversar com as crianças, deixa-las brincar e observar o que fazemos em nossas vidas cotidianas. Essas oportunidades promovem o desenvolvimento de habilidades de funcionamento executivo que são, essencialmente, importantes para o desenvolvimento de habilidades do século 21, como colaboração, resolução de problemas e criatividade.

Brincar ao ar livre oferece a oportunidade de melhorar as habilidades de integração sensorial.

Essas atividades envolvem a criança como participante ativa e abordam os domínios motor, cognitivo, social e linguístico.

Visto sob essa ótica, o recreio escolar torna-se uma parte essencial do dia a dia de uma criança.

Não é de se surpreender que os países que oferecem mais recreio para crianças pequenas vejam maior sucesso acadêmico entre elas à medida que amadurecem.

Apoiar e implementar o recreio na escola não apenas envia uma mensagem de que o exercício é fundamentalmente importante para a saúde física, mas possivelmente reúne crianças de diversas origens para desenvolver amizades à medida que aprendem e crescem.

A imaginação e a criatividade podem parecer naturais para as crianças, no entanto, são habilidades aprendidas e desenvolvidas. Brincar é crucial para ajudar as crianças a navegar pelos cenários de suas vidas, sejam eles imaginários ou reais.

Para Ciomara C.R. de Carvalho, professora, pedagoga e coordenadora pedagógica por 25 anos, é no brincar que a criança consegue se expressar, penetrar no mundo da imaginação, da fantasia, do faz de conta. 

A criança brinca para a construção de si mesma.

É através do brincar que ela compreende o mundo a sua volta, interage com o outro, desenvolve a linguagem e habilidade motora.

Brincar na escola enriquece o seu repertório, onde a criança aprende a ganhar e perder, aprende regras, testa habilidades físicas no correr, pular. 

É na escola que a criança transforma o lúdico em aprendizado

Em um trabalho publicado na revista de periódicos científicos da Unicamp, foi possível apontar a contribuição dos estudos da neurociência na compreensão do brincar e as interferências que as brincadeiras têm em relação à formação da personalidade da criança e ao processo de aprendizagem. 

O estudo ressalta que a brincadeira é indispensável para que a criança tenha possibilidade de fantasiar, expressar-se, interagir, construir regras e valores dentro de um grupo ou individualmente, livremente ou em ações planejadas e dirigidas pelo professor.

A educação infantil pode ser um ambiente propício para essa prática na qual o professor, juntamente com a equipe pedagógica, tem a responsabilidade de possibilitar espaços e condições para a criança poder desenvolver-se, expressar-se e construir conhecimento.

Os estudos apontam que é possível melhorar e potencializar o trabalho do professor voltando-o para o desenvolvimento e aprendizagem da criança através do brincar.

Fonte: Nogaro, A. – Fink, A. T.- Piton, M. R. G. Brincar: Reflexões a Partir da Neurociência para a Consolidação da Prática Lúdica na Educação Infantil. 2016, Unicamp – Portal de Periódicos Eletrônicos e Científicos

Em “Neurociência da Brincadeira: uma ferramenta para o desenvolvimento infantil”, trabalho apresentado no 2º Congresso Norte Mineiro de Saúde da Criança, 2019, demonstra em seus resultados que, as brincadeiras envolvem o prazer, ativando o sistema límbico cerebral, promovendo e desenvolvendo conexões intra e inter regiões cerebrais. 

Estas conexões fortalecem sinapses entre sistema límbico e neocórtex, aperfeiçoando habilidades de tomada de decisões e possibilitando o aprendizado prazeroso.

Conclui que há liberação de neurotransmissores como epinefrina, norepinefrina e dopamina que aprimoram a neuroplasticidade cerebral.

Através de experiências lúdicas formam-se conexões sinápticas, proporcionando aprendizados efetivos e o desenvolvimento da afetividade, percepção, expressão, raciocínio, criatividade e socialização.

Assim, experiências que estimulam o aprendizado prazeroso, como as brincadeiras, associadas às janelas de oportunidade, fases ideais para o desenvolvimento de determinadas habilidades, são potencializadoras do desenvolvimento infantil.  

Considerações finais

 “Era uma vez crianças que pararam de pular corda, de jogar cinco-marias, de virar-se contra a parede no esconde-esconde e de passar o anel. Era uma vez crianças que não pulam corda, nem amarelinha, e nem jogam pião e bolinha de gude… Era uma vez pais que já não sabem — ou não querem — tirar os filhos do magnetismo incontornável e conveniente dos aplicativos para smartphones e tablets. Era uma vez uma sociedade que esqueceu como se brinca sem estar conectada em onipresentes redes wi-fi.  Era uma vez…”.

Assim escreveu Giulia Vidale em seu artigo na revista Veja, em referência às recomendações feitas pela Academia Americana de Pediatria, em 2018, aos médicos pediatras americanos.

Como já mencionado acima, a partir deste estudo, liderado por cinco cientistas, com o apoio da AAP, os médicos pediatras americanos passaram a receitar brincadeiras a seus pequenos pacientes com intenção de preservar a saúde socioemocional e salvaguardar o espírito de ser criança

A ordem foi estimular, ao máximo, o aprendizado lúdico em todas as consultas com crianças saudáveis, dos dois primeiros anos de vida até aos onze anos.

Para as crianças menores de dois anos, a diretriz foi para passarem longe de celulares e tablets.

A recomendação foram as brincadeiras ao ar livre, como se brincavam antigamente, onde meninos e meninas se interagem de forma espontânea e ativamente com o propósito de estimular o seu desenvolvimento psicoemocional. 

Não há como negar o efeito devastador que os dispositivos eletrônicos e suas telas causam à saúde das crianças, quando usados além do tempo recomendado. 

Como se não bastasse isso, as crianças ainda sofrem com a erosão da sua capacidade de aprendizagem e cognição.

Durante a pandemia esses problemas foram acentuados, pois as crianças tornaram-se reféns destes dispositivos utilizados nas aulas online. 

Agora, é preciso pensar nas consequências e a corrida contra o tempo já começou. Tanto em casa, quanto na escola, até o 6º ano do Ensino Fundamental, é premente que se pense em soluções para equilibrar ao máximo o uso dos dispositivos, para não asfixiar o tempo precioso que as crianças precisam para brincar.    

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